segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A busca





Longamente peregrinei
Por este mundo de coisas efêmeras.
Dele conheci os passageiros deleites.
Como o belo arco-íris,
Que muito cedo em nada se desfaz
Assim, desde as origens do mundo,
Vi todas as coisas passarem -
Belas, festivas, deleitáveis.
Na busca do Eterno
Perdi-me entre as coisas finitas;
De todas provei, em busca da Verdade.
No perpassar das idades,
Conheci as delícias do mundo efêmero -
A terna mãe com seus filhos,
O arrogante e o livre,
O mendigo que erra pela face da terra,
O conforto dos ricos,
A mulher tentadora,
O belo e o feio,
O autoritário, o poderoso,
O homem importante, o benfeitor, o protetor,
O oprimido e o opressor,
O tirano e o libertador,
O homem de muitas posses,
O renunciante - o sannyasi ,
O homem prático e o sonhador,
O arrogante sacerdote de suntuosas
vestes e o humilde devoto,
O poeta, o artista, o criador.
Prostrei-me diante dos altares do mundo,
Conheci uma a uma das religiões.
Cerimônias inúmeras pratiquei,
Regalei-me das pompas do mundo,
Combatente fui, de batalhas ganhas e perdidas,
Desprezei e fui desprezado,
Passei pelas tristezas e agonias
De inúmeras desditas,
Nadei em prazeres e na opulência.
Nos secretos recantos de meu coração, exultei,
Conheci nascimentos e mortes sem conta,
Todas essas efêmeras esferas percorri,
Entre êxtases passageiros, certo de sua perenidade,
No entanto, jamais encontrei
O eterno Reino da Felicidade.
Outrora Eu te buscava -
Ó Verdade imperecível,
Ó Felicidade eterna,
Culminância de toda a Sabedoria!
No topo da montanha,
No céu constelado,
Nas sombras do terno luar,
Nos templos do homem,
Nos livros dos doutos,
Na tenra folha primaveril,
Nas águas irrequietas,
No rosto do homem,
No regato cantarolante,
Na tristeza, na dor,
Na alegria e no êxtase -
Mas não Te encontrei.
Assim como o montanhista ascende aos altos picos,
Largando a cada passo seus múltiplos fardos,
Assim também me alcei às alturas,
Abandonando as coisa transitórias.
Como o sannyasi de áureas vestes,
A buscar felicidade, com sua taça de mendicante,
Assim também renunciei.
Como o jardineiro que mata
As ervas daninhas de seu jardim,
Assim também aniquilei o ego.
Como os ventos,
Sou livre e sem entraves.
Forte e diligente como o vento
Que penetra os ocultos recantos do vale,
Rebusquei Os recessos de minha alma,
Purificando-me de todas as coisas,
Passadas e presentes.
Qual o silêncio que, de súbito,
Se estende sobre o mundo rumoroso,
Assim também, subitamente Te encontrei
No fundo do coração de todas as coisas e do meu próprio.
Sobre a trilha da montanha,
Sentado numa pedra,
A meu lado e dentro de mim Te encontrei
E, em Ti e em mim contidas, todas as coisas.
Feliz o homem que em tudo depara e encontra a Ti e a mim.
Na luz do sol poente,
A filtrar-se entre delicadas rendas de uma árvore primaveril,
Eu Te contemplei.
Nas lucilantes estrelas Te contemplei.
Na ave que passa célere
E desaparece no negror da montanha,
Te contemplei.
Tua glória despertou a glória que em mim dormia.
Tendo encontrado, ó mundo,
A Verdade, a Felicidade eterna,
Dela desejo dar.
Vem, meditemos juntos,
Juntos ponderemos e sejamos felizes,
Raciocinemos juntos e façamos surgir a Felicidade
Tendo provado
E conhecido a pleno as tristezas e dores,
Os êxtases e alegrias
Deste mundo efêmero,
Compreendo tua aflição.
A glória de uma borboleta só dura um dia,
Assim também, ó mundo, são teus deleites e prazeres.
Como as tristezas da criança,
Assim, ó mundo, são tuas tristezas e dores,
Teus prazeres, que levam a constante aflição,
Tuas desditas, que geram maiores desditas,
Incessante luta e fúteis vitórias.
Como o delicado botão,
Após padecer longo inverno,
Desabrocha e de fragrâncias o ar embalsama,
Para murchar antes de cair o sol,
Assim são tuas lutas, teus grandes feitos, e tua morte -
- Uma roda de dor e de prazer,
De nascimento e morte.
Assim como andei perdido entre as coisas transitórias,
Em busca daquela eterna Felicidade,
Assim também tu, ó mundo, estás perdido na esfera do efêmero.
Desperta e reúne tuas forças,
Olha em torno e medita.
Aquela Felicidade inacessível,
Felicidade que é a única Verdade,
Que é o fim de toda busca,
De toda indagação e dúvida,
Que liberta do nascimento e da morte,
Felicidade que é a única lei,
O único refúgio,
A fonte de todas as coisas,
Que dá perene conforto,
Essa real Felicidade, que é Iluminação,
Em ti habita.
Tendo-me fortalecido,
Desejo dar Desta Felicidade.
Tendo alcançado o desprendimento afetuoso,
Desejo dar Desta Felicidade.
Tendo alcançado a tranqüilidade apaixonada,
Desejo dar Desta Felicidade.
Tendo vencido a vida e a morte,
Desejo dar
Desta Felicidade.
Larga, ó mundo, tuas vaidades
E segue-me,
Pois sei o caminho que leva ao cume da montanha,
Sei o caminho que leva ao fim desta agitação e tormento.

Só existe
Uma Verdade,

Uma Lei
Um Refúgio,
Um Guia Para aquela eterna Felicidade.

Desperta, ergue-te, medita e reúne tuas forças!







                                                                                                      Jiddu Krishnamurti
                                                                                                    Filósofo e místico indiano.
                                                                                                    Divino!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Lucy in the Sky with Diamonds?



Ouvindo essa música agora me lembrei que uma vez um professor me disse que fazia referência ao LSD.

Repare:

Lucy in the Sky with Diamonds = LSD

"Somebody calls you, you answer quite slowly
A girl with kaleidoscope eyes...
Look for the girl with the sun in her eyes"

           Alguém lhe chama, você responde lentamente
           Uma garota com olhos de caleidoscópio...
Procure a menina com o sol em seus olhos.

(O uso do LSD faz com que a pupila dilate, ficando muito maior que o normal!)

Sem falar da psicodélica do clipe né? 
Lenon disse que não tinha nada a ver com drogas, apesar de admitir ter experimentado, e disse que o clipe era apenas um desenho do filho dele. Mas mesmo assim a faixa foi banida pela BBC na época.
Muitos fãs passaram a usar LSD por conta disso.
Os ídolos do Rock que se tornam deuses na terra guiando o pensamento e o comportamento de milhares de fãs enlouquecidos e alienados querendo ser pelomenos um pouco do que seus ídolos mostram ser, para quem sabe se sentirem mais perto de ''Deus''.

Se bem que eu ainda desconfio que os Beatles tinham algum pacto com o demônio para fazer todo aquele sucesso generalizado que permanece intacto e ainda se propaga nas novas gerações!!

O eu entre nós

Então num belo momento,
Descobrimos que tudo aquilo
Que havíamos combatido nos
Outros havia em nós ainda,
Alguns resquícios; só existe
Vontade se existirem vontades
E eu não posso fazer da minha vontade
Referência para a vontade dos outros e
Eu não posso fazer do outro um instrumento,
A menos que eu queira aniquilá-los.



Alberto Samoia

Estréia






Novo filme de Lars Von Trier que estreou esse mês e logicamente eu não vou perder a chance de correr para o cinema para assistir!

Sinopse:

O tempo só serviu para afastar as irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). Nem o casamento entre Justine e Michael (Alexander Skarsgård) serve como desculpa para aproximá-las e, depois da cerimônia, Justine começa a ficar triste e melancólica. Quando o anúncio sobre a colisão da Terra com outro planeta chega ao conhecimento, as reações são bem diferentes. Justine está conformada, enquanto o desespero do iminente fim apavora Claire.
 

Fica a dica de cinema pra essa semana.

domingo, 7 de agosto de 2011

Dica de filme





Mais um de Lars Von Trier.
Um filme que foge dos padrões cinematográficos comuns. Possui um único cenário, quase todo imaginário e sem efeitos especiais. Uma produção simples que tenta focar a atenção apenas na história. Acontece em uma pequena cidade chamada Dogville, onde o repentino surgimento de uma fugitiva vai abalar a rígida rotina dos poucos habitantes da cidade.
Lars, como sempre, mostra genialmente o comportamento humano de sua forma característica, abordando o psicológico e a organização social da pequena cidade.
É um filme, na minha opinião, magnífico e genial.
De todos que eu já assisti de Lars Von Trier, com certeza o que eu mais gostei. Pretendo assisti todos e infelizmente não faltam muitos.

domingo, 31 de julho de 2011

Dica de filme




Uma obra de Las Von Trier.
Um filme chocante que explora a natureza humana em seus desejos e doenças mais explícitos e profundos. Aborda o desespero, o luto, a perda, a dor... Se você conseguir manter os olhos abertos até o final do filme com certeza será inesquecível. Assisti uma vez e pretendo assistir novamente, apresenta um cunho psicológico muito forte que me divertiu bastante em minhas interpretações. Recomendo.




sábado, 4 de junho de 2011

Santa hipocrisia!



Toda essa coisa de moral e de conduta correta, e de princípios..
Pura hipocrisia
Estratégia de pessoas fracas e sem coragem para reprimir aqueles que não são.
Como já dizia Nietzsche, é só uma forma deles se sentirem melhores por não fazerem aquilo que desejam e ainda, de quebra, fazer com que aqueles que fazer, se sintam pecadores, piores e culpados por isso.

Grande jogada da sociedade, produzindo cada vez mais e mais pessoas infelizes e incapazes.
Grande forma de manter o instinto humano sob controle, manter a ordem.
                    Humano selvagem VS Humano racional.
Ser racional não quer dizer ser uma máquina!
Até porque as máquinas não o são.
E como se já não bastasse ao homem controlar tudo a sua volta, ele também tinha que controlar sua própria espécie.
O impedindo de controlar a si mesmo.

Qual a finalidade prática da racionalidade?
Integração, socialização, adaptação, convivência, permanência...
Isso implica em aceitação de regras e padrões.
Aquilo que é imposto , aquilo que você tem que fazer, aquilo que você não pode fazer.
Afinal, ''O que vão pensar de você?''
E assim, a necessidade de pertencimento supera o desejo e a realização da Felicidade.

Porque parece sempre tão difícil ser feliz?

Por que parece sempre que existem mil obstáculos no nosso caminho quando buscamos algo que nos faz bem?

Por que essas alegrias são sempre tão passageiras e tão difíceis de se alcançar?

Por que existe a hipocrisia humana!!!

Aquela que diz que você não pode fazer isso ou aquilo, quando se corrói de vontade de fazer.
Pessoas reprimindo pessoas, reprimindo desejos, reprimindo a felicidade, com objetivos completamente egoístas e incoerentes.
Dia desses alguém me disse algo sobre o início do celibato entre os padres. Disseram que ele surgiu porque era obrigação
da igreja sustentar toda a família do padre, sua mulher, seus filhos, e que isso era um grande transtorno financeiro para a igreja católica que se viu obrigada a tomar uma providência. Lógico, como sempre.
Eu não conseguiria dar exemplo melhor para mostrar como são formadas as normas de controle social, visto que a maior ditadora delas é a própria religião.

Vivemos numa sociedade podre, pobre, fingida e dissimulada, onde tudo é pecado, é errado, mas é desejado! É preciso!
E a própria felicidade se torna a maior das utopias, por que sempre haverão barreiras e mais barreiras para aqueles
que tem coragem para encontrá-la. Aqueles que não tem, são suas próprias barreiras. A REAL felicidade vai surgir quando se abre mão dessa necessidade da opinião alheia e quando o coração tiver um pouco mais de autonomia sob nossas vidas. Desde quando alguém além de você é capaz de decidir o que lhe faz mais feliz?!

Antigamente era realmente necessário que nos encaixássemos no meio, na sociedade, caso contrário poderia nos custar a vida. Dessa forma as pessoas eram obrigadas a agir contra seus pensamentos, vontades, instintos, suas próprias regras e valores, para aderir ao padrão. Mas hoje não é mais assim, hoje podemos ser o que quisermos e viver como quisermos, sem que sejamos jogados na fogueira ou enforcados, pelomenos não no sentido literal!
Mas pra isso, é preciso coragem.

As criticas dos fracos não devem vir para atormentar, mas para mostrar o quanto são infelizes por não serem capazes de admitir o que realmente sentem, e o quanto sofrem por não serem capazes de ouvir seus desejos, e ao invés disso, os jogam no buraco negro, obscuro e sombrio de seus corações esperando que um dia eles desapareçam.
Pura ilusão.
Eles não desaparecem, eles corroem feito ácido, aos poucos e consomem cada minuto de paz da sua alma. Eles 'subexistem' em você eternamente, espremendo seu coração e lhe deixando sempre aquela velha sensação de vazio , de incompletude, e você se pergunta ''meu deus, eu tenho tudo! o que será que ta faltando? por que será que eu n me sinto feliz?''
De que adianta casa, dinheiro, status... se o que você realmente deseja está bem longe dali.
Como podemos guiar nosso caminho pelas estradas alheias, se nós é quem vamos tropeçar, nós é quem vamos enfrentar o caminho e sofrer as consequências. É muito fácil caminhar por uma estrada pronta, bem acabada... mas a troco de quê, se essa estrada não tem fim no lugar em que vc queria estar? Sua jornada será em vão. E a cada buraco que você cai, ao invés de lhe acrescentar, você sente como se um pedaço seu tivesse ficado alí para sempre.

Você critica o diferente, o anormal, aponta o 'pecado' e julga esse ou aquele.. agora olhe para dentro de si e veja o que tem lá.
Veja o quanto vc gostaria de ter um pouco dessa vida,de revirar esse buraco negro e de revolucionar uma sociedade medíocre, construir sua própria estrada e se jogar no horizonte para a  melhor e mais inesquecível viagem da sua vida ao encontro da SUA felicidade.



Imagem: Mystic Eye, Alex Grey.